Eu era feliz e sabia

11 jul

Há algumas semanas assisti ao filme de Woody Allen: “Meia Noite em Paris” e confesso que fiquei encantada com o roteiro.

Além de original, o longa tem cenas lindas em que mostra a charmosa cidade luz, tanto nos mais modernos anos 2000 como também no auge de sua Belle Époque.

Apesar disso, não vou escrever aqui sobre a história do filme, mas sim, o porquê de ela não sair da minha cabeça.

Há dias penso em duas questões centrais do filme: será que somos eternamente insatisfeitos? Essa característica faz parte do nosso DNA? E se eu pudesse ter vivido em outra época; em qual outro momento e lugar ia querer estar?

Quanto a primeira questão, acredito que sempre, desde que o mundo é mundo, temos a ilusão de que a vida dos outros é mais interessante que a nossa. E que se tivessemos “aquele” carro, “aquela” roupa, “aquele” corpo, “outro” apartamento, “outro marido; mais bonito, mais rico, mais carinhoso…” se morássemos em “outro” país ou trabalhassemos “naquela” empresa seríamos mais felizes.

Doce ilusão! Sejamos felizes com o que temos e o que somos.

Por estarmos sempre admirando a vida dos outros e a sua felicidade “facebookiana”, tendemos a achar que a nossa vida é muito sem graça e que não somos tão alegres, bem resolvidas e bonitas quanto àquelas pessoas.

A partir daí passamos a nos boicotar com aquela tão famosa frase: “Eu era feliz e não sabia”. E não sabia mesmo, porque provavelmente você estava mais uma vez olhando e desejando só as coisas que não tem, que não possui, observando o seu vizinho, a sua amiga, prima e esquecendo de viver a sua própria vida.

Esse talvez seja nosso grande problema.  Se perdessemos mais tempo com nós mesmos, olhando para nossa relações, nossas qualidades, por tantas coisas boas que nos acontecem diariamente, garanto que valorizaríamos mais o presente, ao invés de ficarmos chorando um passado nostálgico e sonhando com um futuro quase que inatingível. E só assim você poderá afirmar : eu era feliz e sabia… sempre soube!

É claro que o ser humano já tem uma tendência mais dramática mesmo. Como o próprio Poetinha dizia: “Tristeza não tem fim, felicidade sim”. Alguns afirmam até que ninguém é feliz, mas sim, vive momentos de felicidade.

Que seja! Então busquemos mais esses momentos, efêmeros ou não, de felicidade. E que seja uma alegria completa, verdadeira e muito bem aproveitada. Que saibamos reconhecer que ninguém é perfeito, que nunca será e que a perfeição chega a ser chata!

A vida também precisa de movimento, de altos e baixos, pra que essa montanha russa emocional possa dar aquele friozinho na barriga cheio de adrenalina, que nos faz suspirar, tremer e que nos move. Afinal, não há nada mais chato e entediante que a previsibilidade.

Então, hoje aproveite mais o dia, esse grande PRESENTE, e seja simplesmente feliz!

Ótima semana =)

*Fotos: Reprodução

5 Respostas to “Eu era feliz e sabia”

  1. Daniela Cruz (Four and a dog) 14/07/2011 às 11:50 #

    Como a outra Dany disse aí em cima, concordo em gênero, número e grau… amei a temática central (nunca estamos satisfeitos), que vc abordou muito bem no seu texto. Gosto muito do estilo neurótico do Woddy Allen…. ainda mais quando a neurose é por Paris…. passei minha lua-de-mel lá e fiquei apaixonada… saí do filme com uma vontade louca de pegar o primeiro avião e partir!! Pena que não era meia-noite 😦
    Bjsssssssss,

    • Maria 14/07/2011 às 13:39 #

      Oi Dani, adorei seu comentário!! Obrigada pelo incentivo =) Adorei o seu blog tb!!
      Impossivel ver o filme e não querer ir pra Paris, ne?!rs Dps poem fotos da sua lua de mel pra gente babar um pouquinho…rs
      Bjoss maria

  2. Alice Ferruccio 12/07/2011 às 15:01 #

    Oi Maria, gostei muito da sua crônica.
    A falta nos move e por ela lutamos o tempo todo. Jamais voltaremos para o paraíso. Quando nos tiraram do ventre da nossa mãe a luta pela vida se iniciou.
    No filme O Último Samurai, Tom Cruise é o capitão Nathan Algren (que se move pela culpa de ter matados os índios em uma batalha foraz). Ele foi contratado para sufocar a revolta comandada pelo samurai, mestre muito sábio, Katsumoto (Ken Watanabe) que luta para manter o sistema feudal no império do Meiji. O resultado da luta foi Algren se tornar prisioneiro de Katsumoto. Este escreve poemas, mas que está sem uma palavra para o seu último verso e só a encontra na hora da sua morte. Em um encontro com o Algren, contemplando a natureza, Katsumoto afirma: “não existe flor perfeita” ou “é impossível encontrá-la”.
    Será que flor perfeita não existe? Será que a pessoa perfeita existe? Somos todos criação Divina, mas imperfeitos por natureza. .
    Deus nos fez imperfeitos para que tivéssemos o mínimo de estímulo para buscarmos a eterna e utópica perfeição.
    bjs e parabéns!

  3. Natalia Resende 11/07/2011 às 22:43 #

    Amei….simples assim!! 😉 Bjaoo

  4. Dany Braga 11/07/2011 às 16:11 #

    assino abaixo de tudo que vc escreveu…perfeito. beijinhos, Dany

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